Frustração com reforma e exterior pode elevar a inflação

Nas perspectivas para 2018, a apresentação do presidente destaca que o cenário internacional é benigno, mas que há riscos

às 15:20:26 por

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, citou a ocorrência de três fenômenos positivos na economia brasileira: a redução da inflação, a queda das taxas de juros e a recuperação da atividade em discurso ontem no Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), em São Paulo. O evento foi fechado à imprensa, mas o BC disponibilizou os slides da apresentação, que não trouxeram indicações sobre os próximos passos com relação à política monetária.

Ilan volta a falar na manhã desta terça-feira, em evento do Credit Suisse. O BC entra hoje no período de silêncio que antecede a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Nas perspectivas para 2018, a apresentação do presidente destaca que o cenário internacional é benigno, mas que há riscos. E que o cenário base do BC é de inflação em direção às metas com crescimento moderado.

A apresentação lista riscos ao cenário base em ambas direções. Por um lado, possíveis efeitos secundários de choques favoráveis e mecanismos inerciais podem produzir trajetória prospectiva de inflação abaixo do esperado. Por outro, a frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes e reversão do corrente cenário externo podem elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.

Nas considerações finais, Ilan afirma que "a continuidade de ajustes e reformas, em particular a reforma da previdência, é fundamental para o equilíbrio da economia, com consequências favoráveis para a desinflação, para a queda da taxa de juros estruturais e para a recuperação sustentável da economia brasileira".

Entre os pontos abordados, Ilan citou a convergência do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) às metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e destacou a importância da ancoragem das expectativas, antes de citar que a Selic se encontra na mínima histórica de 7% ao ano. O Copom tem a primeira reunião de 2018 nos dias 6 e 7 de fevereiro.

O presidente também apresentou um gráfico mostrando que a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) foi melhor do que o esperado, com projeção de crescimento de 1% em 2017, 2,7% em 2018 e 3% em 2019, segundo estimativas do Focus.

Ilan dedicou parte da apresentação para afirmar que o BC está trabalhando para reduzir o custo do crédito, e citou dados do Indicador do Custo de Crédito (ICC) e do spread bancário, que no caso dos empréstimos para pessoas físicas, caiu de 33,7 pontos percentuais em outubro de 2016 para 25,4 pontos em dezembro.

O presidente do BC também dedicou parte da apresentação para falar da "Agenda BC +", e citou os avanços obtidos em 2017, como aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP), o acordo envolvendo os planos econômicos das décadas de 1980 e 1990 e a revisão do marco punitivo do setor financeiro, entre outros.

Ilan também listou algumas ações que estão em andamento, afirmando que a Agenda BC + é uma "agenda viva". Entre as iniciativas, há o cadastro positivo de crédito, que está para ser avaliado pela Câmara dos Deputados, as medidas envolvendo o spread bancário (cheque especial, compulsórios etc), a criação do depósito voluntário, a redução do uso de papel moeda via incentivo ao uso do cartão de débito, a regulação das fintechs de crédito, e a relação entre o BC e o Tesouro Nacional.

Fonte: Valor Econômico.